sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Dom Vital preso como seu Divino Mestre!

Não existe cena mais emocionante do que está, a prisão de Dom Vital:
Imaginem essa cena!! Imaginem isso na época o povo vendo um bispo da Igreja sendo preso!!


"Também ali, naquela hora decisiva, não ia fugir, O Juiz bate à porta onde Dom Vital havia, por alguns longos momentos, fechado ôbre a autoridade do outro Poder um silêncio misterioso, que já era o seu diante da invasão do Regalismo. Não criava um problema de ordem: não desobedecia, não escapava. Derrepente abrem-se as portas da capela interna e um Bispo, de mitra e báculo, na dignidade magestática da sua hierarquia, solenemente posto para um cerimônia em que a Igreja de estar à altura de sua missão, se entregava à prisão e ao castigo, não sem assinalar, no ato, a grandeza espiritual de que revestia a ofensa. Dom vital paramentado, com a Cruz peitoral que depois daria a Pio IX, hierático, exaltado pela própria humilhação, impondo um respeito instantâneo, que vinha de sua figura de Bispo e de homem."


e continua " A violência do ato chocou o espírito público. A própria imprensa conteve-se. Vários maçons abjuraram a Maçonaria e queriam que Dom Vital lhes rasgasse os diplomas"



Retirado do livro: D. Vital e a Questão Religiosa no Brasil, de Nilo Pereira.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sugestão de novo escudo de armas para a Montfort!


O símbolo da associação Montfort sempre é algo que dá destaque e transmite, de certa forma, quais são os valores que ela deveria seguir. A águia, símbolo da coragem, da lealdade e todos os demais significados que estão presentes nesse animal, a espada, símbolo da justiça, da luta pela verdade, etc. Um brasão bem forte e que cuja  significação é quase que inesgotável de tantos sentidos.


  Porém com o desfecho dos últimos tempos, de acontecimentos onde a coragem e outros valores passam a ser os elementos que mais faltam, ou que pelo menos estão ocultos em todas as discussões, decidi humildemente recriar esse símbolo e sugerir um novo. Este, com elementos mais brasílicos e que não servem só para construir como o outro, mas a imagem real que é passada por essa associação, que deveria se chamar também “confusão”, quando abrimos seu site ou nos referimos a ela.



 Depois de muito pensar e de estudar elementos da heráldica, cheguei à minha sugestão final, com toda significância direcionada para a imagem que a associação tem passado nos últimos tempos. Creio que esse novo escudo prega por si mesmo.







Acho que só depois de explicarem muitos acontecimentos, aí sim poderão usar a águia, a flor de lis, etc. Mas até lá, acho que esse novo brasão fica mais adequado... Por enquanto é galo de crista baixa e sem esporas.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

ELEISON COMMENTS 196 (16 de abril, 2011): VIGIAI!




A situação mundial é tão grave que ouvimos vozes de que o recente
desastre no Japão, com seus cerca de 27.000 mortos em tempos de paz,
não seria um ato de Deus, mas um crime dos homens (veja-se “HAARP
tsunami” na internet). O que pode fazer um Católico para salvar sua
alma? Na verdade, ele não pode fazer muito pelo mundo, mas o mínimo
que ele pode fazer por si mesmo é vigiar, ou seja, ficar acordado.



É Nosso Senhor, no Getsémani, quem coloca o velar, isto é, o manter os
olhos abertos e não cair no sono, antes mesmo da oração. (Mt. 26,41).
A razão é óbvia. Se eu, como Pedro, Tiago e João, não vigiar (Mt.
26,43), vou deixar de rezar, talvez como no caso deles, justo quando o
Nosso Senhor mais precisa. Quantos católicos, nas décadas de 1950 e
1960, especialmente o clero, não estavam prestando atenção aos sinais
dos tempos na Igreja e no mundo, e, por isso mesmo, foram
completamente surpreendidos pela apostasia do Concílio Vaticano II?
Eis a razão pela qual os “Comentários eleison”, como o faziam as
“Cartas do Reitor”, estão constantemente falando de economia e de
política, para permitir aos católicos que permaneçam vigilantes sobre
sua religião e suas exigências, superadas de longe por suas promessas
(I Coríntios 2,9).



Por isso, um especialista em Wall Street (ver JSmineset.com,
30/03/2011) pode dizer: “O sistema financeiro está tão danificado que
não pode ser reparado. Até porque não há vontade de repará-lo, porque
os homens inteligentes sabem que é impossível. É o mundo criado pela
implosão do Banco Lehman. Não é um “Admirável Mundo Novo”... Jim
Sinclair diz que não importa quanto “dinheiro falso”, como se pode
chamá-lo, os bancos centrais possam emitir... “O dano está feito e não
há solução... Por favor, tornai-vos materialmente autossuficientes”
(ele diz, e eu assino embaixo).



Porém, mesmo os católicos tradicionais tendem a cochilar, para não
dizer “abandonar-se ao sono”. Aqui estão dois testemunhos recentes. O
primeiro é de um professor de uma escola tradicional: — “Sinto-me
terrivelmente sozinho nessa batalha, não a travada contra o inimigo no
mundo exterior, mas a que é travada dentro da Fraternidade São Pio X,
com sutileza tal que ninguém parece ter percebido. Da mesma forma que
aconteceu na Igreja, na década de ’60; a mesma mudança lenta e gradual
no comportamento”.



O segundo vem de um observador dentro do atual cenário Católico
Tradicional nos EUA: — “Tenho a impressão que a militância Católica
está em declínio. Vejo muitos Católicos Tradicionalistas,
especialmente pais de família, aceitar os maus hábitos do mundo. A
luta já não é mais importante para eles. Contentam-se em poder ter a
sua bela Missa dominical, mas, na segunda-feira, mandam seus filhos à
escola pública. Todo novembro saem de suas casas para votar no menor
dos dois males; assistem ao (conservador?) Fox News e esperam do
(conservador?) Partido Republicano a solução para todos os problemas
do mundo atual. Na minha humilde opinião, essa falta de militância
está se tornando mais e mais difundida no mundo Católico Tradicional.
Estaríamos nós (os leigos) recriando o mesmo conjunto de
circunstâncias que nos levou ao Concílio Vaticano II? É o
Católico-do-domingo, hoje, a maioria predominante no movimento
Tradicional? Receio que a resposta a ambas as perguntas seja: sim.”



De fato, não é muito mais fácil desistir de nadar contracorrente, não
é muito mais agradável cair nos “braços de Morfeu”[1]? O mínimo que se
pode fazer para si mesmo é jogar fora a televisão.



Kyrie eleison.

Mons. Richard Williamson
________________________________

[1] Morfeu é o deus grego dos sonhos. A expressão popular “cair nos
braços de Morfeu” significa entregar-se ao sono. Segundo a mitologia
grega é um sono não natural, mas induzido, daí que dá nome a uma droga
que induz ao sono: a morfina. nota da tradutora.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Padre Daniel Maret e a furia do SWISSICOP

Padre Daniel, vou parar de dizer que o senhor anda fraco e precisa se alimentar melhor, porque agora todos já sabem o que essa cara cansada, de bom velhinho, esconde...


Puxa vida, posso até não saber mexer nesse bendito photoshop, mas cada vez que leio as declarações de ameaças do Frei Thiago publicada no sit da seita da montfort, não posso deixar de ver isso quando olhar agora para o senhor padre.....SWSSICOP III

  Se ele faz isso com um frei semi tradicional imagina o que não aprontando por ai com os modernistas!!!! "PEDE PRA SAIR"!!!

TODA A FORÇA DO LIMÃO!!! (piada interna)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Antes que divinizem o homossexualismo, vale a pena lembrar..

Essa imagem fica a disposição para aqueles que quiserem usar ela como forma alertar sobre o PLC122


Muitas pessoas se esquecem que o homosexualismo não se limita apenas a uma filosofia, um gosto ou jeito "alegre" de ser, mas ele demanda um ato, imoral, pecaminoso, ato que vai contra a natureza do homem, pois Deus na sua perfeição fez homem e mulher, e esses deveriam se complementar e também criou o sistema digestivo, quando isso não é respeitado temos uma inversão de algo que é percebido sem uma graça sobrenatural, apenas pela observação natural.

 As pessoas e principalmente os católicos se esquecem disso, e acabam esquecendo de lutar pela moral e bons costumes e a família que nasce do ato de amor de dois casais, e por isso temos que atacar o erro, por amor pela verdade!

 Se os homossexuais não conseguem ver essa diferença natural e importantíssima, pois o ventre da mulher foi desenhado para ser o berço puro da vida, é um problema de inteligência e perceberem que ninguém é obrigado a aceitar aquilo que a natureza está contra.

O governos com o PLC122 vai poder decretar uma lei onde vai impor ao pensamento essa lógica, porém dando privilégios e leis que cria uma classe especial a dos homossexuais! Pura, intocável, superiora...



 VIVA CRISTO REI!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A 1ª da série "Produtos que gostaríamos de ver por ai..."


Satisfação garantida ou o dinheiro de volta..

quinta-feira, 31 de março de 2011

CQC usa símbolo ocultista!

Por que tal uso desnecessário e sem contesto, e ao mesmo tempo tão perceptível? Humor inteligente?

 Não gosto de ficar com essas coisas de subliminar etc, mas que devido a ter tanta gente exagerando nesse sentido as pessoas sérias deixam de lado, e ai esta a prova de como isso é usado, para marcar o território!



E isso se repete, varias vezes e em qualquer matéria recente, para ver esse  http://www.youtube.com/watch?v=EYv9lLfCb54


Símbolo Ilumati, fortemente ostentado pela seita ocultista!

 E tem pessoas que acreditam em um humor inocente, que essa história de corrupção da sociedade é brincadeira, e que isso é sim arquitetado para destruir as famílias e todas as demais conseqüências, incluso deixar os homens mais bobos, sem se importarem com os verdadeiros problemas pois tudo vira uma piada, e ninguém luta, combate, ou tem honra se o país que vive é só uma piada.

Empresa que produz o CQC, extranho? Ou mais uma coisa extranha no meio da televisão?



 Em épocas onde o Demônio quer reinar na sociedade lutemos para que Cristo Reine!

sexta-feira, 25 de março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

LO QUE HICIERON LOS COMUNISTAS



O que mais me chama a atenção nesse vídeo é que no meio tem um pequeno folheto falando sobre a vida sexual na Rússia, dizendo que la todos são felizes, e dá instruções de como se ter uma vida livre, sem preconceitos etc.. Ou seja a perversão moral é muito importante para a revolução, por isso temos que estar a atento e sabermos que o que muitos chamam hoje de costumes e liberdades modernas não estão ai por acaso, existe uma logica muito forte nisto, até mesmo no ensino sexual nas escolas, e a continuidade disto sempre vai ser em continua medida a perseguição a Igreja fonte da verdadeira moral, que barra tantos males como o mal da revolução, por isso não podemos deixar que pequenos detalhes da história passem, temos que ver, estarmos atentos e rezarmos muito porque o perigo é cada vez maior, e os comunistas não bricão em serviço como muitos católicos fazem hoje infelizmente!


VIVA CRISTO REI! E FOGO NELES!!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Dom Vital e a luta contra a Maçonaria

  Coloco agora, meu primeiro trabalho relacionado ao tema, tentei por ele refutar de forma indireta alguns dos principais argumentos, contra Dom Vital, tentando fazer uma complemento ao texto que já existia da permanência, devido a correria do final de semestre não consegui fazer algo melhor,  e também daqueles que não entendem o papel do imperador, estou ainda em busca de melhores fontes e bibliografia para fazer um bom trabalho.
 A luta da Igreja contra a maçonaria sempre vai ter um papel importante, e que não pode ser deixado de lado, como a historia materialista pretende fazer, essa luta é de muita importância para a historia do Brasil, e pela memória desse grande homem que foi Dom Vital.
 Peço que rezem por mim para que eu consiga levar pra frente esse trabalho para ele ser mais uma fonte de inspiração  para os católicos que tanto precisam de bons exemplos como esse!





            O BISPO DE OLINDA PERANTE A HISTÓRIA



E a “Questão Religiosa” do 

século XIX





O BRASIL
Ao dar continuidade à pretensão de fazer uma análise do Brasil no século XIX, assim como em outros séculos, parece ser de suma importância, para qualquer contexto que formos desenvolver, estarmos atentos às relações Império e Igreja Católica, que estão presentes, nas suas diversas formas e nas diversas áreas, seja da política, da cultura, da economia, etc. Mas, muito mais importante se torna quando essa relação quase que onipresente vem a ser o foco do assunto que iremos tratar. Entender , analisar e expor de maneira clara tão grandiosos feitos é quase impossível para um trabalho tão resumido. Mas, quando buscamos entender ao menos uma parte, damos um passo para entender melhor toda a questão.
            A Religião era, como fica claro nos mais distintos autores, um dos bastiões de segurança do Império, no seu sentido legitimizador. Também vemos que o Imperador entendia que sua autoridade diante da mesma permanecia como sendo ele herdeiro e guardião daquilo que lhe foi transmitido desde os reis portugueses, como fica bem claro na questão do padroado, a qual deve ser entendida para um estudo preciso do tema.
            Por outro lado, ao analisar um pouco da discussão existente sobre as relações Igreja-Estado, muitos se esquecem de ver quais são as posições de base e norteadoras da Igreja sobre o tema. Seria um grande erro entender esse mundo onde a Igreja era a religião oficial do Império, a qual deveria ser seguida, se não vermos qual a doutrina da Igreja que deveria ser seguida, pois “César tem que dar a Deus o que é de Deus”.
            A chamada Questão Religiosa, que se dá na década de setenta do século XIX, e seus principais personagens foram alvo de estudos, críticas e elogios ao longo dos anos. Ao analisar e tentar entender tal acontecimento,quis nesse trabalho focar os fatos especialmente na pessoa do Sr. Bispo de Olinda, Dom Vital de Oliveira O. M. CAP. (1830-1890), tendo feito uma leitura de suas pastorais e discursos publicadas em 1942, traçando assim um mapa mais próximo ao acontecimentos dos fatos. Homem que merece seu capítulo aparte na história do Brasil, e que infelizmente não é colocado e nem dado a tal acontecimento de significação importantíssima, incluso em seus desdobramentos, pois como exclamou Machado de Assis na crônica de A semana do dia 24 de janeiro de 1987, a propósito da morte do Arcebispo do Rio de Janeiro, comparando Dom Vital a ele:
 “Não era a mansidão que conservava o relevo daquele. Nenhum lutador mais impetuoso, mais tenaz e mais capaz que D. Vital, bispo de Olinda, e a impressão que este me deixou foi extraordinária. Vi-o uma só vez, a porta do tribunal, no dia em que ele e o bispo do Pará tiveram de responder no processo de desobediência.
A figura do frade, com aquela barba cerrada e negra, os olhos vastos e plácidos, cara cheia, moça e bela, desceu da sege, não como o velho D. Manuel, mas com um grande ar de desdém e superioridade, alguma cousa que o faria contar como nada tudo o que se ia passar perante os homens. Sabe-se que morreu na Europa, creio que na Itália. Há quem acredite que voluntariamente não tornaria a cadeira de Pernambuco. Ao seu companheiro de então, o bispo do Pará, tive ocasião de vê-lo ainda, numa sala, familiar e grave, atraente e circunspecto, mas já sem aquele clangor das trombetas de guerra; a campanha acabara, a tolerância recuperara os seus direitos.”
Sobre Dom Frei Vital
            D. Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira nasceu em Pernambuco, num engenho de açúcar, a 27 de novembro de 1844. Seu nome civil foi Antônio Júnior. Estudou no Seminário de Olinda e depois em S. Sulpice, em Paris, onde resolveu ser capuchinho (ramo Franciscano), sendo recebido no Seminário de Versalhes. Neste, seus superiores, procurando prová-lo, trataram-no com tal aspereza e tanta falta de atenção que ele adquiriu uma doença de garganta da qual nunca mais se pode curar.
            No dia em que os religiosos da comunidade franciscana decidiram aceitar (contra a oposição do Padre Mestre) a sua profissão definitiva, este Padre Mestre disse-lhe: "Você nunca prestará para coisa alguma. Não poderá ser sacerdote e terá muito que sofrer". Tirando a última parte, que se mostrou verdadeira, mas parece que para o bem de D. Vital, no mais, não apenas falhou na sua "profecia" como mostrou uma dureza de coração incrível contra um pobre seminarista franciscano que nunca demonstrou nenhuma rebeldia, nenhuma má vontade, nenhuma queixa. Àquela palavra dura do seu Padre Mestre, ele respondeu: "Não pedi a entrada em religião para me tornar notável em trabalhos além dos que Deus me destina. Nem mesmo a glória do sacerdócio procurei. Vim para glória de Deus e salvação de minha alma. Se não puder ser bom padre, pedirei para ficar como simples leigo e que Nosso Senhor tenha pena de mim até o fim". Apesar de tudo, quando a comunidade indagou o Padre Mestre qual o conceito que fazia do candidato à profissão definitiva, ele declarou que o comportamento de D. Vital tinha sido sempre irrepreensível.
            D. Vital foi depois para o convento franciscano de Perpignan e, mais tarde, para o Seminário de Toulouse, onde foi ordenado em dois de Agosto de 1868. No fim deste mesmo ano de 1868, voltou para o Brasil e foi mandado para ensinar no Convento dos Franciscanos em São Paulo. Em março de 1872, foi sagrado bispo por indicação do Governo do Império do Brasil.

A Relação Igreja-Estado
            Não é possível ir muito além, em um tema tão complexo, se não expusermos um pouco dos principais pensamentos dentro de toda a questão religiosa. Quanto ao Império, analisemos a seguinte relação que estava descrita, de forma a ser seguida, pela Constituição Imperial de 1824, em especial no seu 5º artigo:
  Art. 5. A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto domestico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo.¹

            Não só o Império estava unido ao que poderíamos até mesmo colocar em um plano mais abstrato e que poderia ser desfigurado, dependendo da interpretação, mas a mesma Constituição, em seus artigos seguintes, vai explicitar como essa relação com a Igreja deveria permear e atingir as principais figuras do Império, como vemos abaixo:
Art. 103. O Imperador antes do ser acclamado prestará nas mãos do Presidente do Senado, reunidas as duas Camaras, o seguinte Juramento - Juro manter a Religião Catholica Apostolica Romana, a integridade, e indivisibilidade do Imperio; observar, e fazer observar a Constituição Politica da Nação Brazileira, e mais Leis do Imperio, e prover ao bem geral do Brazil, quanto em mim couber.
Art. 106.0 Herdeiro presumptivo, em completando quatorze annos de idade, prestará nas mãos do Presidente do Senado, reunidas as duas Camaras, o seguinte Juramento - Juro manter a Religião Catholica Apostolica Romana, observar a Constituição Politica da Nação Brazileira, e ser obediente ás Leis, e ao Imperador.

Art. 14I. Os Conselheiros de Estado, antes de tomarem posse, prestarão juramento nas mãos do Imperador de - manter a Religião Catholica Apostolica Romana; observar a Constituição, e às Leis; ser fieis ao Imperador; aconselha-o segundo suas consciências, attendendo sómente ao bem da Nação

            Porém, falta entender o que a Igreja coloca sobre como deve se dar essa relação e de que forma estão alinhados os envolvidos: se o Estado deve estar subordinado à Igreja ou a Igreja ao Estado. Esse ponto é talvez o mais fundamental para a Questão Religiosa e compreender as atitudes tomadas por Dom Vital, se estas foram apenas atitudes pessoais, frutos de sua formação ultramontana, e as atitudes que o Império, enquanto tendo como religião oficial a Católica, vai tomar.
            Santo Tomás, doutor comum de toda a Igreja e modelo da teologia católica em quase todas as épocas, parece ser quem mais explicita a doutrina católica sobre a relação estudada. A Questão Religiosa, por mais complexas que sejam as visões dessa questão, é o melhor exemplo do problema de quando o poder temporal (Estado) quer interferir em questões religiosas, posto que no Brasil já havia antecedentes no assunto.
Na Suma Teológica, para responder à objeção que diz que “o poder espiritual se distingue do poder temporal. Mas, às vezes, os prelados, dotados do poder espiritual, se intrometem em coisas pertencentes ao poder secular. Logo o julgamento usurpado não é ilícito” [1], Aquino recorre à analogia entre a alma e o corpo:
o poder secular está sujeito ao espiritual como o corpo à alma. Por isso, não é usurpado o julgamento, quando o prelado espiritual se intromete nas coisas temporais, naquilo em que o poder secular lhe está submetido, ou que o poder secular lhe entrega.” ²

Essa doutrina é explicada e colocada de forma mais pontual quando analisamos a patrística, base sólida de toda a doutrina católica, que traz desde os primórdios dos tempos as suas sementes. Vemos as bases dessa doutrina, que devido a sua característica não pode ser refutada por um argumento de temporalidade ou de um contexto histórico que fosse o mesmo do século XIX ou próximo a ele, como do papado em crise e etc., nas citações feitas em seus primórdios, que mais explicitamente acharemos em Santo Tomás de Aquino.
·         São Gregório Nazianzeno (U 390) declara que os magistrados imperiais estão submetidos à autoridade dos Bispos, como a carne ao espírito e as coisas terrestres às celestes (Hom. XVII);

·         São João Crisóstomo (U 407) explana as relações entre a autoridade espiritual e a temporal, mediante a comparação entre o sol e a lua (Hom. XV sobre 2 Cor.);

·         Santo Ambrósio, na carta a Valentiniano contra Auxêncio, declara que "o imperador está dentro da Igreja, e não acima da Igreja; com efeito, o bom imperador procura o auxilio da Igreja, não o recusa". Santo Agostinho, no cap. 24 do livro V de sua obra "A Cidade de Deus", enumera, entre as obrigações do imperador, colocar seu poder ao serviço da Majestade divina, para dilatar-lhe o reinado; e em carta ao Conde Bonifácio, encarregado do governo da África, comentando a palavra do salmo, "servi ao Senhor, no temor", ensina que os reis servem ao Senhor proibindo e punindo as transgressões aos mandamentos de Deus; e nisto difere o modo de servir a Deus próprio dos reis e o de cada indivíduo: o indivíduo serve a Deus, vivendo segundo sua fé, enquanto o rei o faz estabelecendo, com conveniente severidade, leis mandando o que é justo e proibindo o que é contra a justiça. E depois de dar vários exemplos do Antigo Testamento, nos quais salienta as ordens dos soberanos contra as obras da impiedade, conclui: os reis servem ao Senhor, como reis, fazendo para servi-Lo o que somente os reis podem fazer.

·         São Leão I, Papa (de 440-461) escreve ao imperador Leão de Constantinopla, para urgir a manutenção dos decretos do Concílio de Constantinopla contra as manobras dos eutiquianos (monofisitas) e lembra-lhe que "o poder real lhe foi dado, não somente para o governo do mundo, mas sobretudo, para a defesa da Igreja" (Ep. 156,3).

Foi mais especialmente nas relações com os imperadores de Constantinopla que teve a Igreja oportunidade de reafirmar estes princípios da Doutrina Católica. Assim, São Félix II, Papa, em agosto de 484, adverte ao imperador Zenão que deve proteger a liberdade da Igreja, e que ele, mesmo imperador, precisa se submeter ao sacerdócio nas causas de Deus, submissão salutar mesmo para o Estado. São Gelásio, igualmente Papa, teve que repetir a mesma lição sagrada ao imperador Anastásio I. Em 494, enviou-lhe o célebre documento sobre as duas potestades existentes na Terra, e a harmonia que entre elas deve manter-se: "Rogo à tua piedade que não julgues uma arrogância o exercício dos encargos divinos: não se venha a pensar que um Príncipe Romano leve à conta de injúria a verdade que lhe é proposta. Portanto, dois são, imperador augusto, os principados que regem este mundo: a autoridade sagrada dos Pontífices e o poder real. Entre eles, é tão mais séria a autoridade dos sacerdotes, quanto até mesmo dos próprios reis devem eles dar contas no juízo divino. Sabes, com efeito, filho clementíssimo, que, embora, pela tua dignidade,presidas ao Gênero Humano, contudo, aos que estão à testa das coisas divinas, devotamente te sujeitas, e deles esperas os meios da tua salvação... Se, com efeito, no que respeita à ordem pública, sabendo que o império te foi outorgado por disposição superior, até mesmo os Prelados religiosos obedecem às tuas leis, para não parecerem seguir, nas coisas deste mundo, opiniões rejeitadas; como não te convém obedecer devotamente àqueles que têm a incumbência de administrar os venerandos mistérios?" (Carta ao Imperador Anastásio, em 492).
Por volta do ano 506, torna o Papa, desta vez, São Símaco, a lembrar ao mesmo Imperador Anastásio da doutrina católica. Prevenindo uma possível objeção de seu augusto correspondente, escreve o Pontífice: "Talvez digas: - está escrito: devemos estar sujeitos a toda potestade". Ao que contesta o Papa: "Nós acatamos as autoridades humanas, enquanto não levantam contra Deus suas vontades. Aliás, se todo o poder vem de Deus, com maior razão vem aquele que preside às coisas divinas. Serve a Deus em nós, e nós serviremos a Deus em ti".
Mais tarde, é a vez de São Nicolau I (Papa de 858 a 867) despertar a memória do imperador Miguel III, sobre os dois poderes supremos a que estão os homens sujeitos neste mundo e à subordinação, nas coisas espirituais do Império ao sacerdócio, como à dos ministros sagrados ao Império nas coisas de ordem temporal (Ep. de 28-9-865, "Proposueramos quidem").
Já no século VII, Santo Isidoro de Sevilha (636) reconhecia que os reis têm plenitude de governo nas coisas seculares, mas não podem descurar seus deveres com respeito a Deus, nem sua deferência à Igreja, "quam a Christo tuendam susceperunt" - "cuja defesa receberam de Cristo" (Sent. III, 51).  O pensamento do Arcebispo de Sevilha, ao lado do análogo de Santo Agostinho, reaparece nos mestres eclesiásticos dos séculos seguintes. Servem-se eles de várias imagens para explanar o ensinamento tradicional da Igreja. Alguns, a exemplo de São Bernardo, falam de duas espadas, o gládio do espírito manejado pela Igreja e que atende às coisas da alma e o gládio temporal a ser empregado em benefício da Igreja. Ora, é a união íntima entre o corpo e a alma que serve  de símile para ilustrar a harmonia e mútua dependência existente entre as duas autoridades supremas que orientam os homens à plenitude da vida terrena subordinada à vida eterna, como o faz o Papa Inocêncio III. Como Graciano, comparam as relações entre a Igreja e o Estado às que vigem entre o sol e a lua. Como esse satélite da terra se beneficia da luz do sol, a fim de que por seu turno, ser benéfico à terra, assim, guiado pela Igreja é que o Estado atende à sua finalidade própria que é tornar felizes seus súditos.
Nas relações políticas entre a Igreja e os vários soberanos é esta doutrina tradicional que decorre dos atos do poder eclesiástico. Assim, o Papa Urbano II escreve a Afonso VI de Espanha: "Duas dignidades, ó rei Afonso, governam principalmente este mundo: a dos sacerdotes e a dos reis; contudo, a dignidade sacerdotal, filho caríssimo, avantaja-se tanto à dignidade regia que dos próprios reis temos nós que dar conta exata ao Rei de todos" (ML. 151, 289 —apud Villoslada, Hist. de Ia Igl. II, Ed. Med. 2.a 409).
Santo Tomás de Aquino enuncia e justifica tanto na Suma Teológica, como especialmente no Tratado sobre o governo civil, escrito para o Rei de Chipre, o ensinamento comum da Igreja sobre este assunto. Partindo do princípio que o fim da sociedade não pode opor-se ao fim de cada um dos seus membros, e como o destino último destes é o gozo de Deus, deverá o governo da coisa pública cuidar também que os homens reunidos em sociedade alcancem, mediante a vida virtuosa, aquela fruição divina (De Regimine Principum, L. I, c. 14). "Porém - continua Santo Tomás - como guiar ou conduzira este fim não corresponde ao governo humano, e sim ao divino... e sendo distintas as coisas terrenas das espirituais, o reinado sobre estas não se concedeu aos reis da Terra e sim aos sacerdotes, e principalmente ao Sumo Sacerdote, sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo, o Romano Pontífice, ao qual devem estar sujeitos todos os reis cristãos. (...)" (Idem, ibidem) E, no capítulo seguinte, acrescenta o Doutor Angélico: "(...) pertence, pois, ao ofício do Rei cuidar por todos os meios convenientes que os súditos vivam segundo a virtude para que alcancem a celestial bem-aventurança, ordenando o que a ela conduza, e tratando de impedir ou dificultar quanto desvia do último fim" (Idem, L. I. c. 15).
            Colocando assim de forma geral a doutrina da Igreja sobre o assunto, parece difícil aceitar que a afirmação de que o poder temporal deve estar sujeito ao espiritual é apenas uma idéia ultramontana, limitando assim o argumento de Dom Vital ter tido essa formação ou uma formação européia, longe dos seminários do Brasil, os quais tinham fama de serem mais liberais. Vemos por essas citações gerais que essa doutrina não pode ser entendida como apenas um momento de usurpação dos Estados Pontifícios ou de uma contextualização histórica do que ocorria na Europa naquela época. Ela é muito mais abrangente e muito mais extensa que isso. O Estado Brasileiro se sujeitava a ela também, ao afirmar que a religião oficial era a Católica. Parece algo simples, mas é a chave fundamental do que irá decorrer disso. Apesar do Padroado, que faz de certa forma nossa questão ser mais particular, ele não permitia que o Imperador ou mesmo os membros de Estado pudessem burlar essa doutrina, a qual será também explicitada pelo Papa Pio IX em suas alocuções.
            A partir disso, podemos também sublinhar que se houvesse no clero posição diferenciada desta professada pela Igreja, quase que de forma infalível por séculos, eram posições isoladas e de caráter revolucionário. Foi o caso de Feijó, que entendia a Igreja como apenas mais uma repartição do Império, ao ser a religião oficial, querendo reformá-la para ajustá-la de acordo com os fatos do Brasil, transformando-a em uma religião Nacional. Mesmo que Feijó fosse um padre, ele nunca foi tratado ou nunca falou como tal, sempre teve sua voz na atuação política. Como religioso, sempre cometeu erros ao tender à heresia jancianista e, principalmente, querendo extinguir o celibato por meio de lei brasileira, contestando as atitudes do papado em matéria de fé e moral. Tais questões, segundo ele, deveriam se tornar de competência do Estado. Mas vale lembrar que tais leis estavam fixadas no código de Direito Canônico, sendo fixadas pelo Papa, e que nem mesmo o Papa poderia mudá-las sozinho, sem a ajuda de um Concílio.
            Talvez esse caso possa explicitar o pensamento que muitos os governantes tinham no Brasil. Para eles, as leis do Império eram mais fortes que as determinações de Concílios e esses governantes tinham total liberdade de intervir nelas. Isso não se dá nem pela Constituição, nem pelas leis da Igreja, portanto fica difícil entender quais fundamentos poderiam ser usados para embasar tais intervenções.
            Vale também fazer uma ressalva para algo que pôde passar despercebido, mas não pode ser ignorado. A Igreja ao qual o Império estava ligada era a Católica Romana. Nunca existiu uma Igreja nacional autocéfala. Os elementos revoltosos do clero não podem caracterizar ou modificar a doutrina que devia ser aplicada e seguida, pois isso seria cisma. E, por mais que os problemas com o clero existissem, qualquer movimento de restabelecimento da ordem católica não pode ser entendido como um simples movimento que expressa ou professa doutrina própria.
            Outro ponto chave nessa discussão é o fato da presença das elites dirigentes do pensamento liberal. Como coloca René Remond, o Liberalismo é anticlerical e hostilizava principalmente a religião Católica. Os liberais defendiam o princípio da tolerância e da liberdade de consciência, defendendo que cada qual poderia procurar a verdade aonde quisesse. A Igreja, ao contrário, considerando-se detentora da verdade, não aceitava compromissos com o erro. Aparentemente, não havia saída para a luta: de um lado, aqueles que achavam que a verdade deveria ser procurada livremente, sendo impossível que alguém errasse se tivesse condições de procurá-la desse modo. Do outro, a convicção de que a verdade fora revelada e devia ser ministrada hierarquicamente.
            Se os católicos não compreendiam que pudesse haver liberdade em matéria de verdade e erro, os liberais usavam da mesma forma de raciocínio, partindo do fato de que as pessoas decidem somente racionalmente. Ou seja, os crentes eram ou ignorantes, ou hipócritas, nunca pessoas que sinceramente aceitavam tais crenças. A ideia de um católico que sinceramente fundamenta sua fé na doutrina bem estudada parecia a última das extravagâncias aos liberais.
            Partindo do princípio de que cada um devia procurar a verdade livremente, os liberais caiam em contradição. Por força dessa crença no caráter deliberado das convicções e por força do mesmo erro psicológico, achavam que não se devia dar muita liberdade aos católicos na defesa de suas idéias, consideradas essencialmente contrárias à liberdade. Ou seja, todos deviam procurar livremente a verdade, mas a Igreja não devia ter tanta liberdade assim para difundir os seus dogmas.

 A questão do Beneplácito
            O Padroado é entendido como decorrência da precária administração eclesiástica, devido à falta de comunicação e deficiências na rede que conduziam a Igreja. Porém, esse padroado, a partir do século XVIII, começa a se misturar com o Padroado Régio. Vimos, a partir de então, que esse cargo de auxílio à Igreja será usado para fins de interesses próprios, não visando mais seu fim último. Em Portugal, essa situação vai ser ainda mais específica, devido aos reis de Portugal serem também membros da Ordem de Cristo e, por isso, possuírem um caráter semi-religioso.
            Outro fator importante é que o Padroado Régio, junto com o Placet, nunca foi concedido aos reis do Império, função exclusiva do Soberano Pontífice. Por isso, o texto da Constituição “A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Império” era entendido como continuidade também da legislação portuguesa dos atributos do rei.
            O Placet havia sido revogado por D. João II em 1487e somente reviveu em 1765, anos que foram publicadas duas importantíssimas Encíclicas, as quais D. Vital usará para sua luta.
            Podemos elencar a questão do seguinte modo:
a)      Os reis de Portugal e seus legítimos sucessores, os Imperadores do Brasil, tinham o direito de Padroado sobre as terras do Brasil, em parte devido a numerosas concessões da Santa Sé, em parte por extensão meio abusiva e por via de interpretação, das referidas concessões.
b)      Este direito de padroado era entendido, nem sempre muito corretamente, como direito universal de apresentação e colação, assim como de administração dos benefícios eclesiásticos;
c)      Como decorrência; competia ao estado, entre nós, a percepção dos dízimos, e o Placet, e devido a isso a transformação da religião em serviço do Estado.

            Em sua Carta Pastoral contra as ciladas e maquinações da Maçonaria, da qual um trecho está citado a seguir, Dom Vital expõe seu entendimento sobre esse ponto. Para adiantarmos um pouco a discussão que se segue desse assunto, pois pode até parecer que Dom Vital não conhecia essa questão e usou-a de maneira errada, o que teria sido um dos principais motivos de condenação do bispo, vejamos como ele coloca seus argumentos. Tendo em mente que essa questão do Beneplácito já havia sido condenada pela Igreja, ele nada mais fez do que seguir os ensinamentos da mesma, enquanto submetido à potestade temporal do Soberano Pontífice e dos demais antecessores que afirmaram sobre a liberdade da Igreja. Ele nos remete à doutrina de que o Estado deve se submeter à Igreja e mostra que ela não era uma doutrina nova ou uma simples opinião temporal de influência circunstancial. Além do mais, o Placet era apenas mais uma arma usada pela maçonaria, para quando convém a esta, manifestar seu desacordo com as doutrinas ensinadas pela Igreja. Vemos isso quando bem coloca João Camilo de Oliveira Torres em seu livro A História das idéias religiosas no Brasil, afirmando que o uso do Placet estava quase esquecido no Brasil, praticamente em desuso, e somente foi usado nesse período porque o que era dito ou publicado pela Igreja poderia incomodar àqueles que o aplicavam.
O beneplácito imperial é o principal reduto, onde se acastelam os pedreiros livres procurando escapar aos anátemas fulminando pela Santa Sé contra as sociedades secretas: é o último recurso desses sectários da nova religião católica não romana que vai aparecendo entre nós.
 Os novos filhos pródigos procurando atenuar a fidelidade de seu obstinado non serviam, revolvem as frias cinzas do jansenismo, do febronarismo, do galicanismo e daí desenterram o exequatur, escudo ferrugento com que se amparam os inimigos da Igreja; e simulando tranqüilidade e paz de consciência, se deixam ficar nos da maçonaria, a pretexto de que as Bulas pontifícias que a fulminam não tem efeito algum no Brasil; porquanto falta-lhe o beneplácito imperial. Ilusão!
 A doutrina herética do placet, como vós bem sabeis, Irmãos e filhos caríssimos, já tem sido inúmeras vezes ferida de anátema por vários sumos Pontífices, tais, por exemplo, Inocêncio X, Alexandre VII, Clemente XI, Clemente XIII, Leão X, Bento XIV, e outros muitos, cujos nomes omitimos por amor a brevidade.
 O atual Pontífice, gloriosamente reinante, além de outras ocasiões declarou, no consistório de três de novembro de 1855, falsa, perversa, funestíssima, claramente oposta ao divino primado e já condenada a opinião ensina, que o plácito régio é necessário pro rebus spiritualibus et eccleciasticis negottis. E ultimamente com aprovação do Sacrosanto Concilio Ecumenico Vaticano I, onde se reuniram os Bispos das cinco partes do mundo, de países católicos, protestantes, cismáticos e até infiéis; onde também legislou o Episcopado Brasileiro quer imediatamente por si, quer por intermédio de seus representantes. E assim falou o grande Pontífice.
 [...] “Os autores católicos são unanimes em estigmatizar a herética invenção do placet que ninguém que se prezar de filho obediente da Igreja pode admitir, por ser em extremo absurda, injuriosa e ofensiva das prerrogativas do primado do Vigário de Jesus Cristo
Deste herético parto político resulta para as ovelhas a incumbência de pastorear seus pastores, para os súbditos o dever de ditar leis a seus superiores, para os filhos o direito de serem obedecidos por seus pais. Que inversão absurda!

A Luta Contra a Maçonaria
   A luta entre a Igreja e a Maçonaria no Brasil tornou-se acesa pouco depois, em virtude de um incidente ocorrido no Rio de Janeiro. Naquela época, apesar das diversas condenações da maçonaria pelos Papas, havia muitos padres que pertenciam a lojas maçônicas. Também muitos homens notáveis da época eram maçons, alguns por simples ignorância, outros, embora tendo seus nomes ligados à história do Brasil, por convicções maçônicas e mau espírito contra a Igreja. Em março de 1872, pouco antes de D. Vital ser eleito bispo, houve uma festa da maçonaria que comemorava a Lei do Ventre Livre, obtida pelo então principal Ministro do Imperador, Presidente do Conselho (chefe de governo), o Visconde de Rio Branco, pai do Barão do Rio Branco, homem realmente capaz, de notável inteligência e também grau 33 da loja maçônica da Rua do Lavradio.
             Um dos oradores da festa foi um padre, chamado Almeida Martins. O bispo do Rio, D. Pedro Maria de Lacerda, escandalizado, chamou o Padre Martins em particular para ponderar-lhe que ele não podia ser padre e maçom ao mesmo tempo. O Padre recusou atender a qualquer ponderação. O Bispo suspendeu-o de ordens. A maçonaria considerou-se atingida e fez uma grande assembléia que foi presidida pelo Chefe do governo, o Visconde do Rio Branco. Decidiram então iniciar uma grande campanha contra a Igreja e a essa campanha uniram-se os maçons de uma ala dissidente. Coletaram fundos e começaram os ataques. Fundaram inúmeros jornais para a campanha: no Rio, o jornal "A Família"; em São Paulo, o "Correio Paulistano"; em Porto Alegre, "O Maçom"; no Pará, o "Pelicano"; no Ceará, "A Fraternidade"; no Rio Grande do Norte, "A Luz"; em Alagoas, "O Labarum" e em Recife, dois, "A Família Universal" e "A Verdade".
            Assim, quando D. Vital chegou ao Recife, já encontrou em atividade os jornais maçons que todos os dias procuravam atingí-lo com sarcasmos e injúrias. O bispo não respondia, é claro. A 27 de julho começaram a provocá-lo. Primeiro, anunciaram que iria haver uma missa em ação de graças numa loja. Diante da proibição sigilosa do bispo, nenhum padre ousou celebrá-la. Depois, pediram missas por maçons falecidos sem arrependimento e, é claro, nenhum padre aceitou. Finalmente, diante do silêncio do bispo que não respondia às provocações, nos dias 22, 23, 24, 25 e 26 de Outubro, o jornal "A Verdade" publicou uma série de artigos contra a Santíssima Eucaristia, a Virgindade e a Maternidade Divina de Nossa Senhora e a Imaculada Conceição. E, para atingir melhor o alvo, uma Irmandade religiosa (várias estavam infiltradas de maçons) elegeu o autor daqueles artigos como seu presidente. Finalmente, a 21 de Novembro, o bispo D. Vital publica um protesto contra os ataques aos dogmas católicos, exortando a população a protestar também. Mais tarde, fez um sermão público na catedral, repetindo o protesto e acusando a maçonaria. O jornal, para zombar dele, publica uma lista de padres e cônegos filiados à maçonaria local.
            O bispo chama-os um por um, em particular, e obtém de todos que se retratem publicamente e se desliguem das lojas, exceto dois. O jornal publica então os nomes de presidentes, secretários e tesoureiros de irmandades que também pertenciam às lojas. O bispo faz o mesmo, mas aqui esbarra na obstinação de várias irmandades que se recusam a acatá-lo. Só duas aceitaram e as demais ou recusaram ou nem foram à entrevista. D. Vital procurou obter com amigos comuns que elas, as Irmandades, se submetessem à sua autoridade. Não conseguiu nada. Resolveu então mandar um primeiro aviso canônico aos vigários assistentes das irmandades para que exortassem os irmãos maçons a renunciarem à maçonaria ou se demitirem. As irmandades recusaram aceitar isso. Mais dois avisos se seguem e são recusados. O bispo lança então um interdito sobre as irmandades Santo Antônio e Espírito Santo, impedindo a realização de missas ou quaisquer religiosos nas suas capelas. Os maçons começaram a promover tumultos de rua. Primeiro fecharam capelas e igrejas, roubando chaves de sacrários ou de arquivos. D. Vital publica a Carta Pastoral contra as ciladas da Maçonaria.
             A Carta Pastoral antecedente somente serviu para desmascarar a seita maçônica que publicou os nomes dos cônegos, Padres, Religiosos e Irmandades maçons. Entretanto, lançou mão, D. Vital, de todos os meios caridosos e persuasórios para reconduzir ao bom caminho os que dele estavam desviados. Vendo baldados todos os seus labores, só então deu início aos interditos e, ao mesmo tempo, com esta Pastoral, quis iluminar a todos os que se achavam em boa fé, usando um estilo bem simples, baseado na lógica. Fala como pastor que quer ensinar o que a Igreja diz sobre o tema, não sendo fruto de um impulso próprio ou baseado em “achismos”. Vai direto ao alvo que quer destruir, porém não toma o assunto com desprezo ou se faz mostrar raivoso ou irado; é um tom paternal, fortalecido pela convicção. Convicções religiosas que brotam da Igreja e que deveriam se espalhar pelo Império.
            Na sua encíclica, D. Vital demonstra como a maçonaria no mundo vem se levantando contra a Igreja. O ódio que sempre esteve presente na seita dos livres pedreiros parece ser o ponto explicativo mais importante de toda a questão, pois ele expõe a opinião de toda a Igreja e demais condenações existentes a eles, de como a Igreja sempre se mostrou contrária e repulsiva a essa associação. Mostra também como a maçonaria em seus jornais e publicações ataca de forma dura à Igreja, ao clero, ao Papa em inúmeras citações de livros e revistas editados por maçons, as quais deixam bem claro o ódio e a raiva existente no que diz respeito à doutrina católica. É um grande erro tratar toda a Questão Religiosa ignorando essas citações precisas, extraídas, por exemplo, da “Revista Maçônica”, da “História Geral da Maçonaria”, “Manual para maçons”, “Le monde maçonique”, “Instrução da Franco Maçonaria”, “Biblioteca Maçoni”, “O Pelicano”, entre outros documentos e textos que em muito fundamentam a tese defendida por ele, ou seja, que a maçonaria é anti-católica. A leitura de documentos em francês pelo Bispo facilita ainda mais um ataque pelo mesmo, usando documentos chaves, e mostra que ele tinha uma boa leitura sobre o assunto.
            No segundo ponto de sua encíclica, Dom Vital mostra que não somente a maçonaria é condenada pela Igreja, como também que sobre ela recai graves penas. Clemente XII anatematizou-as na Constituição In Eminenti; Bento XIV na constituição Próvidas; Pio VII na Constituição Quo graviora e as inúmeras condenações feitas pelo Papa da época, Pio IX, as quais se iniciam desde a fundação oficial da seita, em 1717. Ou seja, não são casos focados, nem condenações particulares.
                        Continua explicando e argumentando de forma bem clara e quase irrefutável em seus argumentos como prelado, de que a maçonaria do Brasil é a mesma da Europa, que ambas foram condenadas, fazendo cair qualquer sofisma existente de que haveria uma ou outra distinção que poderia fazer com que não recaíssem sobre a maçonaria no Brasil as penas da maçonaria na Europa.
            Dom Vital vai tentar aplicar e fazer valer a palavra da Igreja, pois um dado muito relevante nesse momento é que até então a maçonaria estava secreta, e era muito difícil, por se tratar de uma seita secreta de se provar quem era membro ou não. Ao ser revelado quase em sua totalidade quem eram os membros da ordem, Dom vital, vai ter o nome dos padres e demais católicos membros e, por isso, agora lhe cabia o dever de aplicar as penas impostas pela Igreja. Na sua encíclica, Dom Vital mostra também fatos históricos, demonstrando o argumento daqueles que queriam lhe derrubar, argumentos tão bem rebatidos por Dom Vital e que ainda hoje são os mesmos, coincidentemente, usados para se posicionar contra a Igreja. Sobre o tema, diz ele em sua Carta Pastoral:
   “Atendei para a perseguição encarniçada sem tréguas movida pelo maçonismo brasileiro, a pretexto de jesuitismo, Romanismo, Ultramontanismo, ao Catolicismo”

            Prosseguindo, ele mostra que a doutrina do Placet não é compatível com os ensinamentos da Igreja, como já havíamos colocado acima, e toda a questão do Estado e da Igreja novamente aparece nesse ponto da encíclica. Clamando pela liberdade da Igreja, lembra que por mais que o Placet seja usado pelos maçons para tentar deslegitimar a empreitada do Bispo, em nada isso funciona, posto que as penas e interditos continuam a cair sobre eles. Penas espirituais, que refletiam na conduta e na administração da Igreja.

            Conclui sua encíclica de forma paternal, pedindo a Deus que lhe dê força e a graça de iluminar-lhe a inteligência para romperem com a seita. Também estabelece cinco pontos:

1. Reprova todas as heresias e blasfêmias que tem atingido o seu rebanho, pela imprensa ímpia, principalmente o jornal chamado de “A Verdade”, proibindo a leitura deste que estava ligado à maçonaria sub gravi.

2. Pede aos párocos que esclareçam aos fiéis o papel das lojas maçônicas e, principalmente, àqueles que ainda se encontram nelas. Se mesmo assim persistissem, que fossem eliminados das confrarias religiosas e sofressem as consequências da excomunhão maior ipso facto.

3. Lamenta a falta de instrução religiosa existente no povo, um dos motivos que levam a tais situações, pois ele parecia acreditar que muito dos erros cometidos, de ainda existirem católicos na seita maçônica, se devia a falta de instrução e que essa seria o remédio a ser tomado, e faz com que o povo seja tomado de uma passividade para com esse tema.

4. Pede que sejam rezadas Missas para o Espírito Santo e orações para que os maçons sejam convertidos e salvem suas almas.

5. Pede para que a presente carta pastoral fosse lida pelos párocos na principal missa das igrejas e tivesse publicidade.


            Enquanto isso, também o bispo de Belém do Pará, D. Antônio Macedo Costa, combate a maçonaria. As notícias a respeito, chegando ao Rio, provocaram enorme abalo. O Governo reuniu-se, ao saber que irmandades haviam sido interditadas e também por causa da Carta Pastoral. O próprio Governo, isto é, certamente o seu Chefe, Visconde do Rio Branco, e seus ajudantes maçons, mandaram dizer às irmandades que deviam apelar para o Governo Central com um, então vigente, "recurso à Coroa", apesar da lei brasileira de então dizer que em causas estritamente religiosas os bispos estavam submetidos ao Papa e só ao Papa podiam ser apresentados recursos contra suas decisões. Não obstante, uma das irmandades interditadas apresentou o recurso ao governo. O próprio bispo mandou uma carta a um Conselheiro de Estado, apontou a ilegalidade do recurso à Coroa e declarou com simplicidade que havia cumprido seu dever de bispo e só estava submetido ao Papa em matéria religiosa.
            Antes de publicar sua Carta Pastoral, Dom Vital havia escrito ao Papa indagando o que devia fazer diante da situação que descrevia. O Papa respondeu-lhe com um "Breve" datado de 29 de maio, aprovando os atos de D. Vital e dando-lhe amplas faculdades para enfrentar a situação. Diante do "recurso à Coroa" da Irmandade, o Governo mandou a D. Vital um aviso com ordem de levantar o interdito sob pena de ser processado. O bispo responde com toda a calma e, depois de apresentar suas homenagens ao Imperador e seu respeito pelo Governo, acrescenta que se deve obedecer antes a Deus que aos homens e que recebia, no mesmo dia, do Governo, o aviso para suspender o interdito, e, do Papa, seu Breve aprovando seus atos. Assim, como bispo, não podia atender ao aviso. Isso, explicou, não era desobediência, mas dever de consciência. Em seguida o bispo suspendeu de ordens o Deão do cabido da diocese que era maçom e se recusava a deixar a maçonaria.

            Os maçons então fizeram uma manifestação pública de apoio ao Deão. Depois saíram para invadir, depredar e saquear a capela do Colégio dos Jesuítas, que estava cheia de fiéis que comemoravam o mês de Maio. Quebraram o púlpito, os confessionários, os quadros, imagens, espancando os fiéis, roubando objetos de valor. Empastelaram em seguida os jornais católicos, "O Católico" e "A União" agredindo os empregados. Agrediram os jesuítas, alguns dos quais foram apunhalados e um dos quais morreu mais tarde. Depois arrombaram o Colégio Santa Dorotéia e em seguida foram para o palácio do Bispo. O Bispo, avisado, mandou iluminar todo o palácio e se apresentou diante da quadrilha que estava no portão. Eles não ousaram invadir o palácio e acabaram se retirando. Dom Vital então escreve uma Carta Pastoral sobre os desacatos do dia 14 de maio de 1873, evento que foi comentado de modo diferente por dois escritores: Estevão Pinto e Mario Sete, que unanimemente admiraram a coragem e serenidade do prelado.

            Dom vital, nessa encíclica, lamenta o que vem acontecendo e como a Igreja estava sendo atacada. Diz que é seu dever repreender os filhos que rompem com as leis da Igreja e do Estado. Tais atos de profanação e violência são comparados a sombra da barbárie, tendo espalhado por todos os lados sinais de violência, devastação, vandalismo e, principalmente, o sacrilégio que teriam cometido ao ferirem religiosos que estavam doentes na cama. Toma para si as palavras do Profeta Jeremias quando vê a destruição de Jerusalém e a profanação do Templo.
            Todos os atos de violência e ódio contra a Igreja apenas serviram nesse momento para corroborar com o que Dom Vital já havia declarado antes, do ódio às coisas sagradas, aos fieis e aos padres. Todos os pretextos para ele são injustificáveis, nem mesmo o rigor da lei que eles clamavam poderia ser suficiente para que tal crime fosse válido ou legítimo, agiram contra as leis do Estado e da Igreja, transformando todas as injúrias antes proferidas pela maçonaria em seus jornais, em atos.

            O bispo dispõe de uma incrível oratória e de profundos sentimentos de tristeza diante dos fatos ocorridos na Igreja. Conclui dizendo que não há razão, motivo ou qualquer outra justificativa que possa ser suficiente para o acontecido. Clama o rigor da lei. Usa de comparações para mostrar como tais atos deveriam chamar a ira de Deus sobre aquela terra, que um dia havia sido colonizada pelos esforços daqueles que mantiveram a devoção às mesmas imagens que foram destruídas, principalmente as da Mãe de Deus, e tal grave crime também é um desrespeito com esses antepassados. Também clama a todos que se coloquem ao lado das autoridades legais e legitimamente constituídas, não convocando, em nenhum momento, a uma rebeldia ou a que tais atos sejam respondidos da mesma maneira.

            Só então chegou a polícia. D. Vital publicou um Breve, "Quamquam dolores" comunicando aos demais bispos do Brasil o que ocorria e recebendo deles todos integral apoio, sobretudo do bispo do Rio de Janeiro e do bispo de Belém do Pará. O Governo manda um aviso à Irmandade que havia feito seu recurso e declara ele, o Governo, levantado o interdito, o que é evidentemente ridículo, já que nenhum padre aceitaria isso. O Governou suspendeu o pagamento dos ordenados dos padres que, naquele tempo, eram sustentados com recursos públicos, e também dos padres professores do Seminário. Finalmente, o Governo mandou processar D. Vital por desobediência e desacato. Veio a ordem de prender o bispo e mandá-lo para o Rio de Janeiro para ser julgado pelo Supremo Tribunal.

            Dom Vital responde com eloquentíssima e magnífica peça literária, que baseada em uma lógica rigorosa e irrefutável um a um destrói todos os argumentos apresentados pelo governo e pelo conselho do Estado, demonstrando ao mesmo tempo o mais profundo respeito e acatamento a Autoridade secular. A sua linguagem convicta em se tratando dos seus deveres e da independência da Igreja, reste-se de uma admirável energia.
 Os fatos claramente demonstram que o governo assistia e defendia a intemperança da seita contra a causa da Religião do Império. Onde contraria a tudo o que se tinha até o momento, em questão de leis e doutrina, se estabelecia:

1.      “Sem o beneplácito do poder civil não podem as leis da Igreja ter força obrigatória.
2.      Pode-se recorrer do tribunal eclesiástico para a Coroa
3.      As Irmandades são matéria mista
4.      A Maçonaria é uma sociedade inofensiva.”


Diante dos argumentos do Estado, poderíamos resumir da seguinte forma os argumentos de Dom Vital para responder tais colocações e afirmar a integridade e legitimidade de seus atos.

“Com efeito: a constituição no art. 5° reconhece como religião do Estado a religião, Católica, apostólica, romana; isto quer dizer, que adota o ensino da mesma religião santa, crê o que ela manda crer, e condena o que ela condena; ora, a religião católica, apostólica, romana condena como herética a doutrina do beneplácito;”


“Mas decidir que podem continuar a ser sociedades espirituais, sem embargo de sua formal desobediência as leis da Igreja, que podem assistir aos atos religiosos, que podem celebrá-los em suas capelas, a despeito da expressa proibição da autoridade eclesiástica, única legitima e competente nesta matéria; isto, Exm. Sr., por implícita confissão do próprio governo imperial, significa que o poder civil busca diretamente definir em matéria religiosa, enquanto religiosa; significa invadir diretamente o domínio do Poder Eclesiástico; significa querer que o bispo reconheça o Governo como superior supremo em matéria de religião; em uma palavra, tudo isso constitui a essência da sociedade protestante, que admite como principio que toda a autoridade, seja religiosa, seja civil deriva-se da Coroa; assim é a Inglaterra, país protestante.”



“Parece, Ex. Sr. que ainda alguém há que tenha a Maçonaria em conta de uma sociedade inocente, beneficente, inofensiva, não obstante os testemunhos mais eloqüentes e as provas mais convincentes que ela tenha exibido de si mesma, já por escrito, já por fatos, já no Império, já fora dele.”
“[...] Dando mesmo de barato que a Maçonaria fosse uma sociedade inocente e meramente beneficente, como sustenta o Governo de sua majestade, a ninguém que queira ser católico é licito se iniciar nela.
[...] Sendo esta a pura verdade, Exm. Sr., com a franqueza de um sucessor dos Apóstolos, se bem que indigno, declaro que não posso de modo algum compreender como o Governo Imperial quis contrariar o ensino da Mestra Infalível da verdade, defendendo e absolvendo solenemente Maçonaria da gravíssimas pensa de excomunhão maior incurrenda ipso facto fulminada pela igreja de Deus; e declarou que esta sociedade em nada absolutamente é contraria a religião católica; que por conseguinte a mestra infalível da verdade laborou em um equivoco e induziu a erro o gênero humano!!!
  Baseando-me sobre o Decreto de 21 de maio de 1818, sobre o art. 282 do nosso código criminal, supunha eu que as sociedades secretas no Brasil estivessem proibidas não só pelas disposições da Igreja universal como até pelas leis do Império. Mas ao viso de 12 de junho próximo findo declara que, em virtude destas mesmas leis, a Maçonaria, como sociedade secreta é permitida entre nós!!!
 [...] Espera ele por ventura que um Bispo católico, a despeito da formal decisão da Santa Sé, que declarou ser a maçonaria uma sociedade intrinsecamente má e diretamente oposta a religião católica, acredite que seja uma sociedade totalmente conforme á mesma religião santa?
Não. Exm Sr., mil vezes não! Isto seria uma verdadeira e vergonhosa apostasia.”

            Foram prendê-lo no palácio, em Recife, um Juiz, o Chefe de Polícia e um Coronel da polícia. Quando o Juiz entrou no palácio e bateu na porta do quarto do bispo, este saiu totalmente paramentado, com mitra e báculo, dalmática e tunicela, luvas e todos os demais paramentos de uma Missa pontifical, e assim foi preso. Vale lembrar que os clérigos tinham foro privilegiado e somente corriam em prisão por crimes de lesa majestade.
            Mas quando chegaram à rua, os policiais viram que a multidão engrossava dando vivas ao bispo e ficaram com medo. Meteram-se  num carro e levaram-no para o Arsenal de Marinha onde ficou preso à espera do navio que devia levá-lo ao Rio. Em Salvador, trocaram-no de navio para que chegasse ao Rio sem ser esperado. E no Rio foi logo encarcerado no Arsenal, embora com todo o respeito e conforto. Deve-se dizer que, em toda parte, no Recife, em Salvador, no Rio, multiplicavam-se as demonstrações de apreço, homenagem e protestos de outros bispos, do clero e do povo. Então o Governo encarregou o embaixador do Brasil em Londres, Marquês de Penedo, de tentar obter do Papa um pronunciamento contra o bispo. O embaixador, hábil e insinuante, contou à sua maneira os fatos e conseguiu que o Secretário de Estado, Cardeal Antonelli, cujo comportamento futuro iria mostrar-se muito estranho, escrevesse com autorização do Papa, uma carta a Dom Vital, "Gesta tua non laudantur", em que, embora louvando o bispo, censura-o como tendo pressa em executar, com excesso de zelo, o que o Papa havia escrito antes e manda que ele levante o interdito para "depois" procurar eliminar os maçons das irmandades.
            O Barão e o Governo ficaram satisfeitíssimos com o resultado da missão e logo noticiaram o fato, mas D. Vital, perplexo, guardou a carta no bolso e escreveu ao Papa pedindo explicações, apresentando os fatos e mostrando os inconvenientes do que lhe estava ordenado, especialmente mandando dizer ao Papa, que até então não sabia que D. Vital, estava preso. E, de fato, logo veio a resposta do Papa mandando destruir a carta do Cardeal Antonelli. Enquanto isso, o Governo frustrou-se porque queria que D. Vital publicasse a carta recebida antes e este, que não era ingênuo, guardou-a. Afinal, veio o processo. Intimado a se defender em oito dias, o bispo respondeu apenas com esta frase: "‘Jesus autem tacebat’”. Assinado em minha prisão no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Frei Vital."
            O bispo foi julgado em sessão solene do Supremo Tribunal, com as galerias cheias. Dois Senadores católicos o defenderam, Zacarias de Goes e Candido Mendes de Almeida. Mas toda a defesa foi inútil, já que a maçonaria governava. D. Vital foi condenado a 4 anos de prisão com trabalhos forçados. Há uma nota interessante: com base naquela lei que falava em "recurso à Coroa", D. Vital foi a 163a. pessoa processada, um dos dois únicos condenados e o único que cumpriu pena. Também o bispo de Belém foi condenado à pena de prisão. O bispo foi levado à Fortaleza de S. João (na Urca) onde entrou em 21 de Março de 1874 para cumprir a pena que, antes de começar, já o Imperador havia convertido em prisão simples, sem os trabalhos forçados, por instâncias da Princesa Isabel, que admirava Dom Vital. D. Macedo Costa, por sua vez, foi encarcerado na Ilha das Cobras. Enquanto cumpriam suas penas, o Governo perseguia os dirigentes católicos do Recife, encarcerando vários outros e expulsando de Pernambuco os Jesuítas. Mesmo preso, D. Vital escreveu e mandou publicar uma carta, A Maçonaria e os Jesuítas, com 139 páginas, em que defendia a estes e atacava aquela.
            Na fortaleza, sucediam-se as visitas de multidões de fiéis e clero, inclusive bispos estrangeiros. Inúmeras petições ao Imperador, com milhares de assinaturas, pedindo a libertação dos bispos. A própria Princesa Isabel vai à fortaleza visitá-lo e, com a ajuda dela, D. Vital pôde chamar à fortaleza os seminaristas de Recife que já estavam prontos para ordená-los ali mesmo. O Papa começou a protestar e escreveu ao Imperador do Brasil pedindo que libertasse os bispos, sem deixar de afirmar que eles se conduziram como deviam fazê-lo. O Imperador parece que não ligou muita importância à carta do Papa, mas o Duque de Caxias propôs ao Imperador uma anistia. O Imperador hesitava. Por razões políticas, caiu o gabinete do Visconde do Rio Branco e o Duque de Caxias foi chamado para sucedê-lo. Ele aceitou com a condição de conceder anistia aos bispos. Finalmente, o Imperador teve que aceitar e, em 17 de Setembro de 1875, decreta a anistia que liberta D. Vital e os demais presos.
            Logo em Outubro D. Vital vai a Roma onde é recebido paternalmente e com alegria por Pio IX (o Papa, comovido, só o chamava de "Mio Caro Olinda", "Mio Caro Olinda"), mas, ao visitar o Cardeal Antonelli em seguida, foi recebido com as seguintes palavras: "Eu não havia escrito a Vossa Excelência mandando levantar o interdito e publicar minha carta?..." D. Macedo Soares, aliás, dá a notícia de que a presença de D. Vital em Roma causara sinais de contrariedade em "certas rodas". D. Vital respondeu pedindo as instruções precisas e Antonelli as deu. No novo encontro do dia seguinte, com Pio IX, D. Vital mostrou ao Papa o que o Cardeal Antonelli lhe havia dado e o assombro do Papa foi enorme. Pio IX pede um relatório a D. Vital e este lho entrega dias depois, mostrando que a carta de D. Antonelli representava desdizer os Breves anteriores. Pio IX reúne uma comissão de Cardeais e teólogos aos quais D. Vital fez uma exposição escrita e outra oral. Pelo jeito, comparecera gente hostil. A impressão que nos fica é a de que o Cardeal Antonelli, se não era maçom, era pelo menos liberal e antipatizava com D. Vital. Finalmente o Papa beija Dom Vital, manifesta-lhe apoio e publica a Encíclica "Exortae" em que condenava mais uma vez a Maçonaria e apoiava os bispos brasileiros, mas, ao mesmo tempo, o Cardeal Antonelli, autorizado pelo Papa, telegrafou ao Núncio no Brasil mandando suspender os interditos das Irmandades sem a exigência de prévia eliminação dos maçons.
            D. Vital visita diversos lugares e amigos em França e na Itália. Volta a Recife, onde procura recompor as instituições fechadas, especialmente o Seminário e recuperar os recursos negados pelo Governo. Afinal, consegue os recursos e reabre o Seminário. Faz visitas pastorais, mas sua saúde, sempre precária, abate-o e ele tem de voltar à Europa para tratar-se, ajudado pela Princesa Isabel. Da França escreve ao Papa, pedindo que aceitasse sua renúncia. O Papa pede-lhe que espere e se trate. No Brasil subia ao Governo um dos mais rancorosos maçons, Saldanha Marinho. Pio IX morre em fevereiro de 1878 e pouco depois morre D. Vital, aos 33 anos de idade, em Paris. Seu corpo foi enterrado na cripta dos franciscanos em Versalhes, de onde, mais tarde, foi trasladado para o Recife. Está enterrado na Basílica de N. Sra. da Penha, em Recife.

Considerações finais


O código criminal de 1830 é bem claro no seguinte artigo:
Art. 282. A reunião de mais de dez pessoas em uma casa em certos, e determinados dias, sómente se julgará criminosa, quando fôr para fim, de que se exija segredo dos associados, e quando neste ultimo caso não se communicar em fórma legal ao Juiz de Paz do districto, em que se fizer a reunião.
Penas - de prisão por cinco a quinze dias ao chefe, dono, morador, ou administrador da casa; e pelo dobro, em caso de reincidencia.
  O Estado assim como seu corpo, deveria ser católico e jurar defender a Igreja, que deveria ser no mesmo momento uma das colunas do Império.  Dom Vital age com convicção de o que ele faz naquele momento está de acordo, não só com a Igreja, mas também com o que o Império se propõe. São inúmeras as citações e recortes que poderíamos fazer das palavras do bispo, que tinha diante de si algo que antes ninguém pudesse ter tido que era justamente os nomes daqueles que, nas diferentes funções da Igreja, estavam dentro das lojas maçônicas. Pessoas que diante da Igreja estavam excomungadas e que não podiam ter nenhum cargo, nem receber nenhum dos sacramentos, e perante o Estado eram criminosos, pois havia no mínimo duas leis que já tinham colocado em xeque a maçonaria no Brasil. Se por um lado temos a Igreja e o Estado, que deveria colaborar enquanto Estado Católico, a atitude que se toma frente à atuação do bispo nas Irmandades que tinham seu lado baseado nas leis civis deveria ser apoiada. Porém, a atitude que vimos foi quase de um estado laico, atitude feita por pessoas que tinham o pensamento tão laicisante tal quais os princípios maçons e muitos membros da mesma seita.

            O que não parece ser compreensível de uma forma completamente razoável, sem mexer com o sentido comum, é o fato de um bispo católico sendo preso por ter se levantando contra uma sociedade criminosa, que em muito dos seus aspectos era revolucionária e anti monarquista, como se via por sua atuação em todo o mundo. Tal fato histórico não pode passar despercebido, pois ele é chave, é como um forte sintoma das transformações e atuações internas existentes naquele momento.

            Por ora, não podendo adentrar de forma mais profunda no tema, muitos contrapontos ainda necessitam ser feitos, assim como uma análise mais profunda das demais falas de Dom Vital, seus argumentos e como eles se contrapõem aos dos que julgavam o caso. Também deve ser analisado o diálogo que existiu entre Dom Pedro e Dom Vital, como Dom Pedro se portou diante da questão. Alguns veem ele como sendo omisso e silencioso, encorajando os que queriam defender a maçonaria e atacar o bispo. Outros, como sendo enganado e, por isso, não poderia estar opinando de maneira lúcida enquanto todo o tema se desdobrava.

            Também é relevante o impacto causado na Igreja do Brasil, se isso teria sido um sinal de uma crise que já existia antes, como foi mencionado, da institucionalização da Igreja e o consequente relaxo de grandes proporções em que o clero do Brasil se via tantas vezes mergulhado. A imagem de Dom Vital sempre parece ficar como daquele que fez o que tinha que fazer, contrariando as comodidades de muitos prelados que não se atreviam a aplicar as leis como deveriam. Creio que muito se negavam a tal, por comodidades, mas se entende que por se tratar de uma sociedade secreta, dificultava muito que seus membros fossem tão expostos como o que a própria maçonaria fez em Recife. Essa relação fica ainda mais clara na Questão Religiosa e a forma como se desdobra é a única, forma que não poderíamos esperar de acordo com as leis.

            Fica de certa forma excluída o entendimento de que Dom Vital estaria apenas colocando suas ideias pessoais devido a sua formação, ou que ele queria na verdade se levantar de forma rebelde contra o Império. O certo é que o Império tinha suas bases na cristandade e a cristandade tinha que ser defendida pelo Império. Se essa relação não ocorreu dessa forma, fica claro, como bem explica Dom Vital, a forte influência dos pedreiros livres, em laicizar e querer a separação dos dois poderes. O laicismo que se deu dentro de um Império que defendia e apoiava a Igreja e era apoiado pela mesma pode ter sido um dos pontos da decadência do Império do Brasil.





TÔRRES,  Oliveira Camilo João de.  Historia das Idéias Religiosas no Brasil, São Paulo, Ed. Grijalbo, 1968.

OLIVOLA OFM CAP, Frei Feliz de. Um Grande Brasileiro, Recife, Edição da Imprensa Universitária, 1967.

Revista Permanência, Novembro/Dezembro de 1981.

Pastorais e Discursos de D. Frei M. Gonçalves de Oliveira Bispo de Olinda, O. M. CAP. Tomo III, Recife, 1942.

RÉMOND, René. Introdução à história de nosso tempo; tradução de Frederico Pessoa de Barros e Octavio Mendes Cajado. São Paulo, Ed. Cultrix, 1976.

AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica.

MAYER, Castro Antonio de. Carta Pastoral sobre a Realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, São Paulo, Ed. Vera Cruz. 1977.

MARTINS, Karla Denise. O Sol e a Lua em tempos de eclipse: a reforma católica e as questões políticas na província do Grão-Para (1863-1878), Campinas SP, 2001.




[1]potestas spiritualis disinguitur a temporali. Sed quandoque praelati habentes spiritualem potestatem intromittunt se de his quae pertinent ad potestatem saecularem"; ²"potestas saecularis subditur spirituali sicut corpus animae. Et ideo non est usurpatum iudicium si spiritualis praelatus se intromittat de temporalibus quantum ad ea in quibus subditur ei saecularis
potestas, vel quae ei a saeculari potestate relinquuntur.” Ibid, ad. 3. AQUINO, Santo Tomás de. Suma Teológica. Op. cit. IIa IIae, q. 60, a.6, obj.3